sábado, 23 de outubro de 2010
(41) Entardecer...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
(40) Recomeçar...
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
(39) Cansaço...
- Ás vezes penso como é bom não me privar de certas coisas; como é bom estar vivo, e como é bom viver; como é bom estar aqui do teu lado...mesmo sentindo-me diminuído e constrangido com as pressões que a sociedade impõe.
Pela primeira vez, ela não lhe passara a mão pela cabeça, num gesto de assentimento e cumplicidade. Sabia que não o poderia fazer, sob pena de estar a perpetuar a sua apatia...
- Será que não é tempo de remares contra a maré? De fazeres uma reflexão como forma de identificares o teu campo de batalha, para poderes efectuar um bom combate?...
Hoje, sentia-se cansado...e estas palavras duras aglutinavam tudo o que ele próprio sentia. Ela, sem vacilar e quase sem respirar, atirava forte :
- Pensa nos pássaros incansáveis na construção do seu ninho, lutando incessantemente para dignificar a sua própria obra. O teu valor é inquestionável, mas está na hora de o colocares á prova... Não vivas de lembranças, pois quem se insere no passado esquece-se de viver o presente.
A brisa da noite soprava branda e quente. Tudo o que ela lhe dissera era difícil de digerir...queria construir monumentos e estátuas...a obra da sua vida... a estrutura simples...mas de facto ainda fizera muito pouco. Ela tinha razão.
Caminharam silenciosos...sentaram-se lado a lado no restaurante e saborearam o jantar...com um brinde silencioso, mas cúmplice, de um aromatizado rosé....hoje, sentia-se tão cansado”
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
(38) Enredo...
Com aquele olhar terno de sempre, ela sorriu como que tentando concordar:
- Mas, a vida é cheia de incertezas meu querido. E é isso que nos estimula a sonhar e a depositar as nossas esperanças no amanhã, sabendo que, o hoje é uma fonte inesgotável de possibilidades de ser feliz.
Em silêncio, digeriu aquelas sábias palavras que ela acabara de pronunciar, quase soletrando. Soergueu-se apaticamente no sofá e olhou através da janela. Lá fora os pássaros executavam um voo tranquilo, parecendo que tinham a certeza do que buscavam e onde encontrariam; começou a questionar-se sobre o que tinha e o que buscava...os pássaros perderam-se de vista, Ele perdia-se em pensamentos.Queria ter a certeza que estava realmente vivo e não morto. Parecia que uma cortina acabava de cobrir o sol, como se o espectáculo terminasse. Era assim, todos os finais de dia da sua actual vida.
- Achas que será possível erguer um pouco mais a cortina da minha vida e dar uma vista de olhos, para ver o que acontece por lá e qual é o filme que vai estrear?
Ela permanecia imóvel, atenta e sempre com aquele doce olhar fixo nos mais pequenos trejeitos faciais, que ele acentuava nas suas preocupações. Manteve-se em silêncio.
Para ele, não ter resposta para estas perguntas era torturante; Não saber qual o enredo do filme da sua vida era muito triste e doloroso. Olhou-a fixamente e sentiu o calor daquele olhar sincero de sempre.- Mas, então, o que devo fazer? Sentar-me e esperar tudo acontecer?Por momentos, ela perdera a serenidade e como uma mola saltou do sofá. De dedo indicador em riste foi desenhando no ar sinais de negação, enquanto dizia:
- Não! É necessário que tu mesmo cries o enredo do filme que queres para a tua vida e certamente voarás livre como os pássaros.
Fez-se um silêncio...com um gesto simples ele aquiesceu...e fechou os olhos...”
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
(37) Promessas...
Olhava de soslaio a condutora e sentia que tinha que tomar uma atitude.
-“Não vou mais parar a minha vida porque imagino o que não acontece, porque uma mensagem chega, porque não ouço o que gostaria de ouvir.Vou fazer o meu momento...Vou ser feliz agora...Terei outros dias pela frente, se souber saltar as barreiras da insegurança!!!”
A tarde de Verão caía lentamente; O sol começava a empalidecer no horizonte. No seu peito a inquietude, provocada pela incerteza do que iria acontecer; Era como se de repente tudo à sua volta tivesse perdido o seu sentido; Chorou, mas não sabia exactamente porquê...apenas sabia que tinha dado muita importância aos problemas, que nunca tinha conseguido resolver.
-“Chega de sofrer pelo que não consigo ver, pelo que não ouço ou não leio. Pelo tempo que não tenho e até de sofrer por antecipação, pensando sempre, apenas no pior. A partir deste momento, só vou pensar no que tenho de bom.”
As gaivotas irrequietas, sobrevoavam intranquilas os telhados, soltando seus estridentes gemidos. Olhou para ela e pediu que ficasse. As lágrimas teimosamente, entrecortavam as palavras que queria dizer...e numa amálgama de sentimentos e palavras, conseguiu uma vez mais, pela última vez, prometer que saltaria todas as barreiras. Ela, lentamente tirou a mão direita do volante, colocou-a afectuosamente sobre a sua perna...e silenciosamente prometeu que ficava.“
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
(36) Decidido...
-“Hoje irei dedicar algum tempo para pensar na vida...na minha vida!!!”
Decidiu então que a partir do próximo amanhecer, iria mudar alguns detalhes para ser a cada novo dia, um pouquinho mais feliz. Para começar, não iria mais olhar para trás. O que passou é passado apenas e se errou, agora não iria mais conseguir corrigir. Então, para quê remoer o que passou? Reflectir sobre aqueles erros sim e então fazer deles uma aprendizagem, para o “seu hoje”...Sabia que “ela” nunca seria o que ele “gostaria”... E daí, se “ela” não era um seu clone?
A partir do próximo amanhecer iria continuar a amá-la, mas não iria mais tentar mudá-la. Poderia ser até que ficasse como ele gostaria que “ela” fosse, mas deixaria certamente de ser a pessoa linda que ele amava.
-“Não...Isso eu não quero” – murmurou num bocejo. Mudarei eu...mudarei o meu modo de vê-la, respeitando o seu modo de ser. Decidira que a partir do próximo amanhecer, iria lutar com mais força. Mas iria ser diferente. Não iria mais responsabilizar os outros pela sua felicidade. Espreguiçou-se novamente e saltou decidido da cama :
-“EU VOU SER CADA DIA MAIS FELIZ!!!”
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
(35) Noite Alta...
“Noite alta…o sono, há muito permanecia arredio dos seus olhos! Um silêncio fúnebre entrecortado pelo diálogo estridente das gaivotas, permitia-lhe pensar no que fora o seu passado. Deambulou pelos lençóis em busca de palavras perdidas, que o ajudassem a decompor o passado…e conseguiu-o.
Nas suas fraquezas descobriu as suas forças. Fora nas horas onde mais sofrera que mais aprendera, com o coração no chão pisado, dorido e gritando que aprendeu...Foi na morte de pessoas conhecidas que começou a valorizar um pouco mais a vida e a aproveitar cada momento ao lado dos seus - afinal ninguém sabe o dia de amanhã. Quando o telefone não tocava, quando ninguém o chamava, aprendeu a beleza de ficar sozinho, pensando apenas. Nas horas de loucura, aprendeu a soltar-se e a não ter vergonha de cantar, gritar e sorrir. Aliás, isso é a melhor coisa da vida.
Fora nos dias que passaram a voar que aprendeu que o tempo que temos é curto e devemos fazer tudo aquilo que sentimos no nosso coração, não deixando para depois.
Ouvindo o som do mar, da chuva, dos pássaros, dos instrumentos musicais, aprendeu a decifrar os seus mistérios. Por trás de cada tom, de cada som, existe algo para se conhecer.
Reparou nos pequenos detalhes, como o azul do céu, a gota fina da chuva, o brilho das estrelas, foi quando viu que todos os dias, essas coisas se transformam e que nada é igual. Mas nem por isso um dia é pior que o outro, nem por isso.
Decidiu olhar as coisas de outra forma. Decidiu apreciar a beleza da contradição, a beleza da diferença e a beleza da mudança. São coisas tão raras que devem ser apreciadas como uma criança que saboreia o algodão doce, lambendo os dedos para não perder o gosto, para não perder a delícia. E noite alta, com o sono a prensar as pálpebras, adormeceu…
-“Até amanhã…dorme bem”
